domingo, 27 de fevereiro de 2005

Melodia...




Quero escutar a música que escutas.
Quero adormecer com essa melodia.
Quero ser conduzida por essa música
a um vale encantado
onde possa encontrar a paz
e sorrir de felicidade.
Quero ouvir todos os sons e brindar à vida.
Um brinde mágico e eterno.
Um brinde de harmonia e prazer.
Quero delirar
enquanto essa bebida imaginária me consome.
Quero entrar no casulo da fantasia
e sentir-me imensamente viva.
Quero gritar,
sonhar,
cantar.
E que todos possam sentir
a melodia que pulsa em mim
como sangue no meu corpo.
Quero escutar a música que escutas
e que te faz vibrar de emoção,
que te faz viajar descalço
sem medo das pedras no caminho.
Quero escutar essa música e celebrar
com a alma brilhante,
branca,
vibrante.
Celebrar um sorriso,
um beijo,
um amor...
Quero escutar a música que escutas,
fazer um brinde
e dançar.


Raphaela Blat

sábado, 26 de fevereiro de 2005

Convite




Vem até mim.
Cala os meus medos com um beijo.
Sossega o meu espírito.
Ama-me.
Vem.
Acompanha-me no meu caminho.
Dá-me a mão.
Vem.
Adormece a meu lado
num abraço bem apertado.
Grita-me
quando duvidar do teu amor.
Deixa que o mundo saiba
que és parte de mim.
Vem.
Fica a meu lado sempre,
mas somente se o desejares.
Não te posso ter comigo
se almejares dar a mão
e caminhar com outro alguém.
Mas se me queres,
se me amas,
vem até mim,
vem.
Cala os meus medos com um beijo.
Dá-me a mão
e entra neste casulo.
Passeia comigo neste sonho sem fim.
Vem.

Raphaela Blat

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

O tempo




É insuportável o tempo quando não estás.
As horas não passam.
O relógio pára.
Eu sei que pára.
Espero escutar-te
e os segundos teimam em demorar-se,
os ponteiros parecem adormecer.
E eu desespero nesta espera.
O tempo é cruel, tantas vezes.
Quando te tenho a meu lado,
apressa-se,
como se, num rompante,
se tornasse nas asas de um beija-flor,
como se, num rompante,
se tornasse veloz como o vento.
Quando te vais e fico só,
o tempo volta a deter-se,
olhando-me caprichoso,
as horas vagarosas
cumprem as suas ordens,
o relógio pára,
eu sei que pára.
Quero que o tempo não comande mais a vida.
Quero que um dia acordemos
e o tempo deixe de ser a nossa sombra.
Quero libertar-me desta amarra que me prende.
Quero que o relógio deixe de obedecer-lhe.
Quero que os ponteiros circulem soltos,
apressados quando te não tenho,
vagarosos quando estás por perto.

Raphaela Blat

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

Começo...


Estava uma bela tarde de Verão. A harmonia comandava aquela zona à beira-mar, aquela praia com tão extasiante visão para o mar, para aquela beleza transcendental. A areia tão fina e de uma cor tão dourada, servia de leito para a água translúcida, para aquele imenso azul com as suas ondas que nenhum medo transportavam, trazendo-nos sim calma ao espírito inquieto. E aquele pôr-do-Sol... aquele pôr-do-Sol que em mais lado algum se poderia encontrar outro... aquele vermelho, aquele fogo que nos aquece a alma e entra, a pouco e pouco, mas sem demora, naquele imenso mar que o engolia com ternura e o devolvia àquela maravilhosa paisagem no dia seguinte. Tal imagem nunca mais me saíra da cabeça, nunca mais a minha memória esqueceu tão bela harmonia de cores, tão boa sensação que nos transmitia o toque naquela areia, o toque naquela água fria, mas não demasiado fria, que nos refrescava e acolhia com carinho. Muitas recordações já me saíram da lembrança, muitos acontecimentos já estão desfocados no íntimo do meu ser, muitos pormenos já foram esquecidos, mas desta imagem, deste mar, desta praia e deste Sol, nunca mais me esqueci nem jamais esquecerei. Estou certa disso. É uma paisagem tão maravilhosamente bela que gastaria uma eternidade só para descrevê-la. E a mensagem que nos transmitia aquela imagem era clara, tão clara como a água que nos lambia os pés. Paz, harmonia, calma.
E foi perante esta imagem que esta história começou.

Tenho este texto escrito há mais de um ano e quis partilhá-lo convosco. Se eu conseguir transformar a história que há anos está na minha cabeça para papel, esta será a introdução do meu livro.
Não coloquei imagem para serem mais livres ao imaginar.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Aquele café...




- Um café, por favor.
Ela entrara na pastelaria como todos os dias. Pedira um café como todos os dias e sentara-se no lugar de sempre esperando o pedido como todos os dias. Mas aquele dia não seria como todos os outros.
- O seu café.
- Obrigada.
Bebeu o café calmamente enquanto lia o jornal.
Gostava de estar ali, olhando o mar logo pela manhã. Fazia-a sentir-se viva. E aquele café quentinho à beira-mar numa tarde de Inverno...
Sentiu um formigueiro na cabeça como se alguém estivesse a olhá-la fixamente. Olhou de soslaio. Viu que não se tinha enganado. Sorriu para si mesma e continuou a leitura. Ele veio até ela.
- Posso sentar-me?
Ela olhou-o sem responder.
Ele sentou-se, aceitando o silêncio como um «sim».
- Acho que a conheço de algum lado...
- Podia ser mais original - disse ela.
Ele sorriu.
-Foi uma tentativa - declarou ele.
Sorriram ambos. E começaram a conversar. Conversaram durante horas ou assim lhes pareceu.
- Tem uns olhos tão bonitos.
- Lá está você de novo.
- E um sorriso encantador.
- Mas não consegue parar? - disse ela sorrindo.
- Não, não consigo parar de olhá-la.
Ela baixou os olhos, vencida por aquelas cantadas baratas.
Saíram e passearam um pouco pela praia.
Num segundo estavam abraçados um ao outro.
Num segundo beijavam-se com ternura.
- Quando te voltarei a ver? - perguntou ele.
- Saberás onde me encontrar...

- Um café, por favor...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Em tuas mãos




Sinto-me tão pequena em tuas mãos,
tão pequena.
Quando as tuas mãos me envolvem, amor,
pretegem-me,
amparam-me.
Quando as tuas mãos me tocam, meu querido,
esqueço-me do mundo,
esqueço-me de tudo.
Somente nós dois importamos quando me tocas.
Em tuas mãos sou tua.
Nas tuas mãos me perco.
No teu abraço morro
de tão feliz.
Em tuas mãos
sinto-me uma pequena borboleta de estonteantes cores.
Posso partir, se quiser,
mas quem quer um dia afastar-se
da sua flor favorita?

Raphaela Blat

Para ti, mãe, um dia

Sonhei contigo hoje, mãe.
Sonhei que me encontravas e descobrias tudo.
Sonhei com o teu rosto triste a observar-me.
As tuas mãos tocando-se em sinal de nervosismo.
O teu corpo tenso sem se mover.
Sonhei que apesar de me veres, não me viste. Que os teus olhos de mãe deturparam a verdade. E a verdade estava bem à tua frente, mãe. Simples. Clara. Ali. Bem à tua frente.
Sonhei que nada dizias.
Que fui ter contigo e tentei explicar-te.
Sonhei que não escutaste o que falei, pois a tua verdade já estava formada.
Já a tinhas como a única verdade e nada do que te dissesse alteraria alguma coisa.
Sonhei que não me viste, mãe. Porque não me viste?
Porque ficaste calada em vez de gritares tudo o que a tua alma queria gritar? Deixaste a tua alma muda e não podias, não podias.
Quem falou, então, fui eu.
Quem gritou, então, fui eu.
Quem partiu, então, fui eu.
Sonhei contigo hoje, mãe.
Sonhei que não me vias realmente.
Sonhei contigo hoje, mãe.
E partirei, como no sonho, se não me vires e aceitares a verdade.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Gente





Ruas entre ruas.
Carros em movimento.
Gente no meio do nada
no meio do tudo
que é a cidade.
Olhares que se cruzam.
Olhares que não se vêem.
Uma massa de gente
que não pára,
que não repara
na restante gente
à sua volta.
Um dia que começa,
mais um dia de indiferença,
mais um dia de cegueira.
Gente
e mais gente
e, no entanto,
tudo vazio.
Não passa ninguém
naquelas ruas entre ruas,
avenidas e ruelas.
Um dia que termina.
Gente que cai no chão.
Gente que não ajuda.
Gente que grita de medo.
Gente que surda não responde.
Gente que morre.
Gente que vive.
Luzes que se acendem.
Carros que param.
Caminhos percorridos.
Gente à espera do novo dia que virá.
Um dia como todos os dias,
mais um dia de indiferença.
mais um dia de cegueira.
Gente
e mais gente
e, no entanto,
tudo vazio.

Raphaela Blat

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Leve como uma pena




Quem dera ser leve como uma pena
e poder flutuar mundo afora.
Ver algo novo.
Escutar sons novos.
Cheirar novos cheiros.
Conhecer vidas tantas que abundam nesta terra.

Quem dera ser leve como uma pena
e viajar ao som do vento
por essas terras distantes.
Sentir ares de todos os tipos,
de todas as fragrâncias.
Sentir o meu corpo voar
por esse céu imenso.
Sentir a liberdade pairar em minha volta
e tomar-me como sua.

Mas, mais do que tudo,
quem dera ser leve como uma pena
e poder estar contigo em todos os momentos.
Sentir-te sempre
sem que o soubesses,
sem me revelar.
Poder admirar-te ao acordar,
ver-te adormecer,
aquecer-me com o teu sorriso,
desmaiar ao olhar o teu corpo...

Quem dera ser leve como uma pena
e poder amar-te todos os dias da minha vida.
E a distância nada seria,
pois viajaria até ti
e viveria contigo
se fosse leve como uma pena.

Raphaela Blat

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Não partas já, amor





Não partas já, amor.
Não me deixes já.
Espera mais um pouco.
Fica mais um pouco,
só mais um pouco.
Não partas já, amor.
Olha para mim.
Abraça-me.
Beija-me.
Ama-me.
Espera mais um pouco, amor.
Sempre me falaste da tua partida.
Um dia terias que ir.
Um dia.
Mas espera mais um pouco.
Não vás agora.
Não agora.
Dói.
Dói tanto pensar na tua ausência
quando ainda nem partiste.
Dói imaginar-te longe sem mim.
Dói imaginar-me só sem ti.
Não partas já, amor.
Fica, amor, fica.
Mas, quando não mais puderes esperar
e tiveres que partir,
deixa a porta aberta, por favor,
não a feches.
Assim saberei que um dia retornarás,
voltarás para mim.
Mas espera mais um pouco.
Não partas já, amor.

Raphaela Blat

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Pensamento livre

Que me importa que me prendam
E me algemem as pernas e os braços!
Que me importa que me metam em cavernas
E me tratem como farrapos velhos!
Mesmo assim, algemado, acorrentado,
Com a carne a sangrar,
O pensamento há-de ser livre
E hei-de pensar e arquitectar
O que quiser,
Pois não há cadeia nem corrente
Que evite que se pense
Livremente!

Encontrei este poema há alguns anos na net.
Não sei quem é o autor.
Só sei que ficou guardado para sempre no meu baú de poemas que mais gosto.

Carpe diem




Aproveita a vida enquanto ela é vida dentro de ti.
Aproveita o teu corpo enquanto és tu que lá moras.
Aproveita. Primeiro tens mais espírito do que corpo e há dentro de ti um convulsão de ideias, uma agitação insolorida de projectos, resoluções, descobertas.
Depois a convulsão abranda e começas a viver das ideias amealhadas. Depois, pouco a pouco, vais perdendo essas ideias ou vai-las esquecendo no sótão de ti. Depois resta só uma ou duas com que te vais governando.
Aproveita o teu corpo enquanto estás dentro dele.
Aproveita enquanto estás.


Vergílio Ferreira, Pensar

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Declaração de amor aos teus olhos




Como são belos os teus olhos...

Como reflectem o mundo...

São espelhos da vida.

São espelhos da alma.

Um dia escutei:

os olhos são as janelas da alma.

E, se assim for,

a tua alma é a mais bela que alguma vez vi.

Como são belos os teus olhos.

Como são preciosos

e encantadores.


Raphaela Blat


fotografia de Olhares.com

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Esperei



Naquele jardim te esperei.
Naquele banco de madeira
sentada te esperei.
As folhas caíam.
Amarelas.
Douradas.
Vermelhas.
Velhas.
Cansadas.
Mortas.
E eu continuei esperando.
E esperei.
Esperei
até as minhas pernas ficarem dormentes
e os meus braços perderem as forças,
até os meus olhos serem vencidos pelo cansaço
e o meu coração não resistir mais à espera,
até o meu corpo não suportar mais a tua ausência.
Esperei
naquele jardim sagrado
dos nossos encontros secretos,
do nosso amor proibido.
Esperei
naquele banco antigo,
desgastado pelo tempo,
sábio pelo que já assistira,
triste pelo significado.
Naquele banco cercado de velhas folhas,
sentei-me e esperei,
esperei
e esperei.
E um dia,
recompensada por tanta espera,
tu vieste,
ficaste,
não mais me deixaste.
Hoje,
aquele banco abandonado
é somente uma lembrança
da minha solidão antes de ti
e sei que nunca mais lá retornarei,
pois não mais precisarei esperar.

Raphaela Blat

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Estou só

A música que me inspirou a fazer este poema é de Craig Armstrong. Escutem-na a partir do site www.christophermcdowell.com/Love%20Actually/18-Craig%20Armstrong%20_%20Glasgow%20Love%20Theme.mp3.
O que aqui está escrito não é o que sinto, é somente aquilo que esta música me disse para escrever.
Escutem-na enquanto lêem o poema.



Estou só.
Abandonada.
Deixaste-me.
Deixaste-me à mercê do mundo
cruel e injusto.
Estou só.
Abandonada por ti
sem me quereres abandonar.
Estou só,
sem a minha alma
porque tu, meu amor, és a minha alma.
Sempre foste.
Desde o momento em que te vi.
Desde o momento em que te toquei.
Estou só.
Porque mo tiraste?
Porque mo roubaste?
Porque deixaste que ele partisse sem querer?
Um dia olhei para o teu lado
na nossa cama de madeira
e tu não estavas lá.
Olhei para ti e não te vi.
Sim, olhei para ti...
Era ali o teu lugar.
Era ali que devias estar,
mas não estavas.
Tu não estavas no meu abraço quando precisei.
Tu não secaste as minhas lágrimas quando te chamei.
Tu não acariciaste o meu rosto quando desejei.
Porque não vieste quando gritei o teu nome?
Estou só.
Sem ti.
Sem alma.
Só um corpo inerte.
Meio vivo.
Meio morto.
Sem alma
não podemos ser completos.
Somos metades
que andam pelas ruas,
que dormem sozinhos nas camas
que outrora eram de casal,
somos metades esperando
as metades que nos faltam.
E somente assim,
metades mais metades,
estaremos completos
num uno.
Porém a minha metade,
o meu amor,
deixou-me,
abandonou-me sem querer.
E eu
estou só
sem ti.

Raphaela Blat

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Olhares




Olhares sedutores

Olhares meigos

Olhares encantadores

Olhares inocentes

Olhares assustados

Olhares complacentes

Olhares alegres

Olhares carinhosos

Olhares cúmplices

Olhares chorosos

Olhares expressivos

Olhares penetrantes

Olhares tristes

Olhares deslumbrantes...

Infinitos são os olhares.
Infinito o que nos revelam.
Mas, mais do que tudo,
Olhares são, simplesmente,
Olhares.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Amor em punhal




Porque me feres tanto
com esse punhal afiado
que carregas contigo
sempre que me procuras?
Porque me feres tanto
com o gume desse punhal?

Sempre te amei.

Mais do que tudo.
Mais do que a mim mesma.
E tu atacas-me
com o punhal que eu mesma te dei.
A culpa é minha
porque te confessei o meu amor.
Coloquei-me em tuas mãos.

Entreguei-te a valiosa arma perfurante.
Dei-me a ti
inteiramente.

Às vezes peço para o tempo voltar atrás,

atrás quando ainda não te conhecia,
quando ainda não te tinha entregue esse punhal.

Se não te tivesse encontrado na minha vida,
não me teria rendido assim
e não teria sido atacada
com o punhal que eu mesma te dei.

Se não te tivesse encontrado na minha vida,

nunca me teria sentido
tão amada,
tão protegida,
tão amparada,
mas depois
vem esse punhal
e saio ferida
e magoada
e entristecida.

Eu só quero ser feliz.
Faz-me feliz,
por favor.
Não me magoes
porque não mereço.
Faz-me feliz
e guarda para ti
o punhal que eu mesma te dei.

Raphaela Blat

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Obrigada, Espectro #999!

Conheci o blog do Espectro há algum tempo.
Fiquei fascinada com os seus delírios ascii.
Tão fascinada que acabei por lhe pedir para me fazer um.
E ele fez:)
Gostei bastante, claro.
Aqueles trabalhos são muito bonitos.
Vocês perceberão isso quando virem.
O Asc #0014 sou eu.

Vão a Delírios Ascii e vejam este mundo bem bonito do Espectro #999:)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Ausência




Um dia acordei
e as tuas pegadas,
as pegadas que deixaste na areia macia e clara
enquanto partias,
já não estavam lá.

Durante muito tempo elas ficaram na praia,
bem marcadas,
bem vincadas.
Não desapareciam.
Nem o mar as alcançava.
Ninguém as apagava.
Olhava para aquelas marcas todos os dias.
Sentia-te.
Desejava que voltasses.
Almejava por um sorriso do teu belo rosto.
Chorava quando te recordava,
quando relembrava cada momento vivido.
Imaginava-te regressar
dizendo que eu era a tua vida,
o teu amor.
Nunca regressaste.
Somente ficaram as tuas pegadas na areia,
lembranças do que já foi,
leves lembranças
de acontecimentos vividos
que não serão repetidos.

Um dia acordei
e as pegadas tinham sido vencidas
por um mar piedoso,
um mar precioso
que teve pena do meu sofrimento.
Furioso contigo,
apagou-as para sempre.

Já nada recordava a tua presença,
já nada marcava o teu caminho,
pois um dia acordei
e as tuas pegadas já não estavam lá.

Raphaela Blat

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Saudade




Às vezes sinto saudade
de quando era pequena,
de quando o mundo era somente
uma eterna brincadeira.
Às vezes sinto saudade
e relembro alguns momentos
de puro contentamento.
Momentos simples e felizes.
Momentos inocentes.
Momentos em que sorri de verdade.
Às vezes sinto saudade
e recordo com ternura

o aconchego da minha avó,
as suas palavras carinhosas
e até mesmo o seu ar zangado
quando fazia algo que não devia.
Sinto saudade de tanta coisa passada...
De quando era bem pequena e não conhecia nada.
De quando cada simples descoberta era
algo fantástico e único.
De quando desenhava cuidadosamente
com os lápis-de-cor que a minha mãe me comprava.
De quando cada boneco meu tinha uma vida própria
que eu mesma esculpia.
De quando construía castelos na areia
com esforço e empenho.
Às vezes sinto saudade
de quando era pequena... mas só às vezes.


Em todas as fotografias sou eu em pequena:)