sexta-feira, 29 de abril de 2005

Parte I


Foi num dos passeios que as duas amigas fizeram que a viram.
Tinham decidido sair um pouco da cidade de Sintra e, como já tinham visitado o Palácio da Pena, escolheram ir ao Castelo dos Mouros. Olhar tudo lá de cima deveria ser espectacular, achavam elas. O Palácio não as tinha entusiasmado muito, todas aquelas peças antigas entediavam-nas, mas tinham esperança que no Castelo fosse bem diferente. A vista devia ser bem bonita, mas Mariana sentiu algo estranho. Não sabia se bom se ruim e isso inquietava-a. Talvez não devessem ir, ou então, deveriam ir sem demora, deveriam ir logo. Não sabia... Preferiu pensar que tudo era imaginação da sua cabeça e tratou-se de esquecer aquilo. Depois de almoço, foram e quando lá chegaram deslumbraram-se com a paisagem. Sentaram-se ao Sol, visitaram todos os recantos do Castelo e foram até às muralhas, percorrendo toda a escadaria que a ladeava, imitando reis e rainhas, gargalhando com a brincadeira. Quando estavam prontas para voltar para a cidade, algo as fez interromper a caminhada. Uma senhora, sentada num rochedo, detinha um olhar penetrante para as duas raparigas. Uma senhora de cabelos brancos, muito invulgar e ricamente vestida. Mariana achou que não deveriam aproximar-se, mas Margarida...bem, ela não entendia nada do que estava a sentir, somente sabia que tinham que ir. Que sensação estranha...era como se fosse a sua missão.
Caminharam, então, na direcção daquela senhora e, à medida que se aproximavam, mais incrédulas ficavam com o que viam: uma senhora que parecia de outros tempos, de outra época... o vestido de seda, as várias jóias que ostentava... tudo nela possuía tamanha beleza que quase cegava.
- Boa tarde, minha senhora, mas creio que ainda não a tinha visto por aqui...
A senhora nada respondeu, mas o olhar continuava a fixá-las. Não, o olhar continuava a fixá-la... a fixar Mariana. Para aquela senhora, era como se Margarida nem ali estivesse.
- Senhora, desculpe, mas começo a ficar preocupada consigo. Está sozinha? Quer que chame alguém?
Mais um momento de silêncio. Por fim, a senhora falou:
- Sempre aqui estive, sempre. Tenho estado à tua espera, Mariana.
- À minha espera?
- Certamente.
Nada daquela cena parecia real.
- Como sabe o meu nome? Que se está a passar aqui? - Mariana começava a ficar inquieta.
- É claro que sei o teu nome, foste tu mesma que me chamaste, que pediste que viesse um dia... não te recordas?
- Eu chamei? Mas eu nem a conheço...
- Conheces, sim, conheces muito bem.
Mariana sabia que aquilo era verdade, ela conhecia aquela senhora... mas de onde??
- Pensa. Fecha os olhos e pensa. Escuta bem a minha voz.
Mariana ficou de olhos fechados e concentrada a tentar recordar aquela voz tanto (ou tampouco) tempo que lhe pareceu uma eternidade. Quando falou, a sua voz não era mais que um fiozinho, um fio de incredulidade e estupefacção.
- Não pode ser... não é possível... mas é... como?! É a
senhora, a Senhora do Castelo...

(continua)

Apeteceu-me... para não ser sempre poesia:)

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Dança das palavras




Rodopio
de olhos
docemente cerrados,
docemente trancados
a chave de oiro no meu ser,
somente sentindo a melodia das palavras em mim.
Rodopio mais um pouco.
Abençoada música
de instrumentos puros,
penas flutuando ao amanhecer,
flores brancas caindo dos céus de cetim.
E no rodopio sem fim,
tenho a Vida como parceira
nesta dança de palavras.
Segura-me, firmemente,
com suas mãos delicadas
e faz a minha alma voar,
resplandecendo.
Palavras outrora guardadas
na mesa de cabeceira,
censuradas,
agrilhoadas,
oprimidas,
confiscadas,
são agora ditas,
livres,
belas,
mágicas,
numa melodia sedutora.
Música de palavras nascidas,
palavras vividas,
palavras amadas.
E violinos de seda,
instrumentos de encantar,
acordam da triste letargia
dançarinos adormecidos.
E uma ventania de frases feitas
toca com seus longos dedos de artista
o velho piano de letras.

Dança.
Rodopio.
Bailarina de palavras...



Raphaela Blat

terça-feira, 26 de abril de 2005

Mais um dia




Observo,
de olhar vibrante,
perscrutador,
confiante,
o mundo fora da porta.
Um dia que começa.
As abelhas nas ruas
saem das suas colmeias
e dirigem-se,
resignadas,
às flores que lhes darão
o mel de mais um dia.
Não têm rosto.
São apenas abelhas entre abelhas,
não mais.
Garrafas de vidro sem líquido,
gastas,
sem vida.
Cruzam-se,
atropelam-se,
matam-se
pela flor que as espera,
o mel de cada dia.
E quando a noite acorda
e a lua desponta nos céus,
as abelhas resignadas
saem às ruas
com as suas colmeias
em mente.

Entro na minha colmeia,
fatigada com o que o meu olhar me contou.

O meu quarto,
o meu casulo,
reino em que sou rainha, minha colmeia.
E lá fora o bulício da cidade,
as ruas que se cruzam,
as pessoas que não param,
a vida em movimento...
É um mundo tão distante
quando as muralhas do meu quarto
me escondem
ternamente,
protectoras.
E adormeço, enfim.


Raphaela Blat

sábado, 23 de abril de 2005

Rosas murchas




Sinto um prenúncio amargo
neste ar que respiro.
Sei-o,
como sei que uma carta recebida
cura feridas antigas
se quem a escreveu
for a causa de tamanha dor.
Aflijo-me.

Lágrimas de rosas murchas caem de meus olhos.
Rosas velhas.
Rosas mortas.

Foste tu, meu amor,
foste tu que partiste,
que me deste rosas em flor
e as deixas morrer agora.

Eu fiquei em terra
e tu foste com as aves.

Subiste aos céus mais azuis.
Tocaste as nuvens mais brancas.
Sentiste a chuva mais límpida
e não me levaste contigo.
Eu fiquei aqui,
só,
sem ti,
com metade de mim mesma comigo
e outra metade bem longe,
perto de ti,
tão longe,
numa distância sem fim.

Ai, como queria sentir a teu lado
o vento no rosto,
o sol aquecendo,
as flores se revelando
numa Primavera de mil cores.
Como queria a teu lado
mergulhar naquilo de que são feitos os sonhos
e sorrir.

Mas tu foste com as aves,
e eu fiquei.
Voaste com as asas que eu mesma te dei,
que fiz a partir do meu coração,
da minha alma.
Tu foste com as aves
e eu fiquei.


Raphaela Blat

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Corrente de Literatura



Ora bem... eu sou uma quebra-correntes convicta e assumida, mas como esta cadeia literária me seduziu, participo nela com todo o gosto. Quem me passou o testemunho foi a querida Leoronetta, Ex Improviso.


1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
Epah... começamos com uma pergunta difícil...hummm... A Filha da Floresta de Juliet Marillier... porque adoro esse livro, é o meu favorito.

2- Já alguma vez ficaste apanhadinha por uma personagem de ficção?
Fiquei e ainda tou... tou apanhadita pelo Hobbes do Calvin & Hobbes. Ele é tão fofooooooo!=p

3- Qual o último livro que compraste?
Eu bem queria que o último livro que tivesse comprado fosse O Aprendiz de Feiticeiro de António Ramos Rosa, mas não encontro o raio do livro em livraria alguma... também não há muitas livrarias por aqui! Assim sendo, os últimos livros que comprei (comprei os dois juntos) foram: Palavras Interditas; Até Amanhã e Antologia Breve ambos de Eugénio de Andrade.

4- Qual o último livro que leste?
O último que li acho que foi o Código da Vinci, acho... a minha memória nunca é de fiar! Mas com Calvin&Hobbes pelo meio, de certeza!!

5- Que livro estás a ler?
Antologia Breve de Eugénio de Andrade

6- Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
Só 5?! Catano!!!
Hummm...
--> Livros que me ajudassem a sobreviver numa ilha deserta;
--> A Filha da Floresta de Juliet Marillier... não, todos os livros de Julliet Marillier;
--> um livro com todos os poemas de Eugénio de Andrade (eu sei que existe... eu é que não encontro!! Maldita Fundação Eugénio de Andrade... aiii tinha que desabafar!);
--> Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago;
--> Harry Potter e a Pedra Filosofal de J. K. Rowling (sim, leram muito bem! li este livro quando ainda poucos o conheciam, tenho a primeira capa que saiu e tudo... Li-o mais de 10 vezes! Sempre adorei histórias de fantasia);
--> O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós (para poder reforçar o meu «não gostar de religiões» sempre que sentir falta!) ;
--> livros de Calvin&Hobbes com fartura;
--> livros de Jorge Amado também;
--> e os 10 ratinhos (primeiro livro que li na minha vida... tenho um carinho especial por ele).

ah...e uns cadernitos em branco com muitos lápis:)

Cinco??? Quanto é Cinco???=p

7- A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Ora bem... eu disse que sou uma quebra-correntes e apesar de participar nesta cadeia não vou participar na totalidade. Não sou capaz de escolher 3 nomes. Não sou. Se repararem nos papéis que leio, há ali tantos blogs que visito e que gosto, como posso escolher só 3?! Então, escolho todos. Quem quiser continuar, força:)


bêjos


Tratamento de imagem


Tinha que mostrar estas duas fotos juntas!
Como não sabia que foto colocar no meu último poema «Palavras», decidi tirar uma foto comigo para ver se gostava e gostei. Achei que se adequava bem ao poema. Um rapaz que tem fotos no
Olhares.com viu a foto e ajudou-me (ou melhor, ele fez sozinho!) a tratar a imagem:)
Que diferença, né?*





quarta-feira, 20 de abril de 2005

Palavras





Palavras interditas,
travadas na garganta,
censuradas,
algemadas,
sem vida.
Palavras interditas,
rasgadas no vento,
presas
nos dedos que,
trémulos,
se tornam fracos,
inúteis.
Palavras acorrentadas,
que não seguram a caneta dos clamores,
roída já pelo tempo.

Papel que foge das mãos,
caprichoso,
que se esconde
como criança.
Voz que não voa,
amedrontada com os ruídos da noite,
que não mergulha na dança das palavras,
que não me deixa espelhar
as letras guardadas
no baú das recordações.

E as palavras,
essas,
ficam por dizer...


Raphaela Blat



terça-feira, 19 de abril de 2005

Sabahalkher, habibi *




Amanheço a teu lado e
admiro teu sono
com um sorriso de pequenas asas
no meus lábios de beija-flor.

Amanheço e te encontro,
meu amante de sabor a mel.
E ao sentir teu corpo de areia,
de cor tão dourada
como o sol que nos espreita curioso,
uma metamorfose me acolhe
e sou, por momentos, a água salgada
que te toca suavemente,
risonha,
refrescante.
E nesse toque te abraço,
envolvendo a minha alma na tua,
e nesse toque lês meus pensamentos de cristal
e meus sonhos de algodão.

Deixo para trás o meu coração de papel
e recebo de mãos trémulas,
mas bem abertas,
a fragilidade
de um coração entregue já ao amor.

Acordas,
respirando o aroma da eternidade que nos visita,
e meus olhos de aquário
abrem as portas aos teus olhos de peixes verdes.


Raphaela Blat


* Bom dia, meu querido (tradução do título escrito em árabe)

domingo, 17 de abril de 2005

Vamos falar de AMOR?



I.

Conheceram-se numa festa igual a tantas outras. Foram apresentados por mero acaso e ela nem reparou muito nele. Não lhe interessavam homens mais velhos, nunca havia tido esse interesse. Ele, em contrapartida, assim que a viu ficou seduzido pelo seu olhar e elogiou-a ainda tímido. O tempo foi passando. Foram-se vendo mais vezes.

Um dia encontraram-se na praia. Ela foi buscá-lo para perto do grupo e começou sentindo algo estranho, diferente. Olhava-o de soslaio, pensando se ele estaria a mirá-la, se a achava bonita e depois zangava-se consigo mesma e continuava a nadar. Ele, sentado num rochedo, olhou para ela toda a tarde. Ela julgava que estava assim por nunca ter namorado, nunca ter beijado alguém. Dezassete anos tinha. Então dizia para si mesma que eram as hormonas que a estavam a elouquecer e sossegava. Não podia começar a interessar-se por ele, não podia. Ele pensava o mesmo. Ela era demasiado nova. Não, nunca, jamais... Até que um dia, por brincadeira, julgou ele, ele disse «Amo-te» assim do nada e tudo mudou. Ele sentiu que o que tinha dito era verdade e ela sentiu algo novo, sentiu borboletas no estômago numa dança inquietante e partiu. Era tudo demasiado novo para ela e ele... bem, não podia ser ele! Estava tudo errado. Mas o amor tem destas coisas... apanha-nos quando menos o esperamos.


Começaram com toques de mãos, bem de leve. Ela era demasiado tímida para tomar alguma iniciativa e a sua racionalidade não a deixava amar inteiramente. Sempre pensava nos outros... no que iriam dizer, no que iriam fazer, pensava na mãe e no pai que teriam um ataque se a vissem com aquele homem. Depois pensava no que estava a sentir e tentava acreditar que não o amava, que somente se sentia assim porque nunca tinha amado alguém, nunca tinha tido alguém na sua vida... era tudo demasiado novo para ela. Ele atacava-a de mansinho. Era homem, sabia o que sentia. Achava-se louco. Como poderia ele... nunca havia amado mulher alguma, apesar de já ter tido várias mulheres... como poderia ele apaixonar-se assim...
Tentavam parar, mas não conseguiam, já não havia como voltar atrás nesse caminho.
Começaram um namoro às escondidas.

Tiveram que se separar. As férias do Verão haviam terminado. Ela julgou que não mais se veriam. Mas estava enganada. Ainda bem que estava enganada.

Tanto há ainda para contar. Tantas histórias eles viveram, tantas novas histórias vivenciam a cada dia.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ela tem 19 anos e ele 34. Namoram há quase dois anos.



II.

Conheceram-se. Apaixonaram-se. Começaram a namorar.
Ele é muçulmano.
Ela vem de família católica e já o foi também. Mas há algum tempo, bem antes de o conhecer, tinha deixado de gostar de religões... obras dos homens, concluiu.
Têm discussões sobre religião. Ela adora.

Ama-o pelo que ele é, não pela religião que professa. Ama-o pelo que ele a faz sentir, pela sua inteligência, pelo seu amor à vida, pelo seu sorriso meigo, por ser sempre tão carinhoso com ela, por ser sempre bom com todos os que lhe pedem ajuda, por amar a sua família incondicionalmente, por ser um amigo em quem se pode confiar e pedir auxílio sempre... ama-o.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ele é muçulmano.
Ela não gosta de religiões.
Namoram há quase dois anos.



III.

Conheceram-se numa festa igual a tantas outras. Foram apresentados por mero acaso e ela nem reparou muito nele. Não lhe interessavam homens mais velhos, nunca havia tido esse interesse. Ele, em contrapartida, assim que a viu ficou seduzido pelo seu olhar e elogiou-a ainda tímido.

Apaixonaram-se. Começaram a namorar.
Ele é muçulmano.
Ela vem de família católica e já o foi também. Mas há algum tempo, bem antes de o conhecer, tinha deixado de gostar de religões... obras dos homens, concluiu.
Têm discussões sobre religião. Ela adora.
Ama-o pelo que ele é, não pela religião que professa.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ele tem 34 anos e é muçulmano.
Ela tem 19 e não gosta de religiões.
Namoram há quase dois anos.



Serão os preconceitos mais valiosos que o AMOR?


sábado, 16 de abril de 2005

Poeta




Podemos ter uma breve visão
da alma que escreve
as palavras sentidas
nos papéis riscados
a lápis de carvão.
Podemos ver a sua alma
branca,
carmim,
solta,
livre,
ancorada no corpo do poeta,
presa como um barco no cais
com uma amarra de cetim.
Porém a visão é somente breve,
e não se sentem inteiramente
as cores do espírito,
não se vê a borboleta de nós
alcançando os céus do mundo.
Vê-se somente uma asa,
uma pequenina asa
num frenesim delicado
e nada mais.

Raphaela Blat

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Antes de adormecer...





Penso na vida lá fora.
Penso antes de adormecer.
Penso no amanhã
e no depois,
na música de agora,
e esqueço o antes
e o ontem,
a melodia de outrora.
Penso antes de adormecer
no que ainda não pensei.
Penso nos cisnes em minha volta,
na sua brancura,
alma.
Penso nas flores de amores nascidos,
nas pétalas de cores vibrantes,
estonteantes.
Penso na água que celebra a vida
a cada pedra que acaricia.
Nas folhas de conhecimento
e sabedoria
que caem em cada outono
e que, já tarde, morrem,
soltas,
inúteis,
por ler ainda.
Penso na espera que farei
às folhas quase mortas
no outono da minha estrada
de cimento pintado.
E, por fim,
minhas mãos
beberão as palavras
retidas nas folhas,
sugarão esse nectar
quase perdido no ar.
No começo trémulas, as minhas mãos
tocarão cada folha,
garrafa de vidro
guardando sábios licores adocicados.


Raphaela Blat

terça-feira, 12 de abril de 2005

Caminhos





É noite.
A lua suspensa no céu
acompanha-me.
Caminho por estas estradas velhas,
sentindo a brisa nocturna
afagando a minha alma.
Caminho no meio da floresta,
entre as árvores mais antigas
e as novas que crescem
robustas,
risonhas.

Ramos de algodão
tocam meus cabelos.

Folhas de punhais
tentam alcançar-me.

Flores de cetim
buscam seduzir-me.

Um dia também as árvores
querererão caminhar,
fugir,
sem parar.
Um dia também elas
quererão respirar água salgada
e beber o vento do amanhecer.


Como as árvores,
também eu tinha raízes,
profundas,
imensas.
Como as árvores,
tinha algemas na alma
e grilhões nos pés.

Mas um dia,
arranquei as raízes
e transformei-as em cinza.
Arranquei-as duma vez,
sem temer o que fazia,
e ao arrancá-las senti
a minha alma recomeçando,
nua
e nova,
o seu novo dia.
Transformei-as em cinza
e parti.

Raphaela Blat

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Cheguei, cheguei!!


Dia 11 pôs-se a caminho como era seu dever e eu aterrei em casa, em frente ao computador:)


Tenho em mãos duas tarefas a cumprir:

1ª tarefa: visitar os blogs de sempre (que já tenho saudades de ver como deve ser!)

2ª tarefa: preparar algo de jeito para postar no meu cantinho:)


Eu vou, eu vou... para a blogosfera agora eu vou... pararatimpum, pararatimpum... eu vou, eu vou...

domingo, 3 de abril de 2005

Manhã...



Uma bela manhã nascendo. Um sol de brilhantes cores despontando. As flores de tons tão belos se revelando à vida. Uma pequena lagoa em frente à casa abrigava beleza como tudo o resto ali. Os raios de sol entravam pela janela do quarto acariciando calmamente a sua face. Um lugar resplandecendo harmonia e amor. Um passarinho acompanhava esta paisagem com uma doce melodia... e ela, acordando calmamente, pegou na fisga de quando era mais pequena, apanhou uma borracha que havia caído na noite anterior e duma vez calou o raio do pássaro que a tinha acordado. Ai, como odiava aquele romantismo logo pela manhã em frente à sua janela!...



Obrigada a todos pelos "Parabéns";)
Sorri bastante:)
Vim postar este texto e tentar visitar todos os que sempre visito, mas não sei se tenho tempo... estou desejando que chegue logo dia 11 para poder ir à net sempre que me apetece e poder visitar milhares de vezes quem gosto:)


Bacci