quarta-feira, 18 de maio de 2005

Cantada (Depois de ter você)




Depois de ter você
Pra quê querer saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa?
Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas
Depois de ter você?

Adriana Calcanhotto


Todos nós temos nossas músicas favoritas, aquelas especiais que nos transmitem algo que outras músicas não conseguem, por mais belas que sejam. Esta, para mim, é um dessas músicas especiais.
É simples.
É bela.

É a música com a letra que mais me toca, que mais me emociona. Esta e a letra da música «Haja o que houver» dos Madredeus.


E é com esta música tão importante para mim que faço uma pausa na blogosfera.
Tenho os exames batendo à porta e não posso distrair-me agora.
Voltarei em finais de Junho.
Se me virem por aqui, por favor, dêem-me um grande raspanete!
Não se esqueçam de mim, pleaseeeeee!!!
Beijos esvoaçantes, desta borboleta muçulmana que não gosta de religiões! =p

sábado, 14 de maio de 2005

Desejos II



Desejo ser uma borboleta de purpurina pintada
e, livre,
delicada,
abrir minhas doces asas e voar.
Agarrar os céus
suspensos por fios de prata,
tocar a flor escolhida,
perder-me nela até que
ela feche suas pétalas sobre mim
e eu morra nos braços da flor que elegi.

Desejo amar de coração aberto,
não fechado, ocultando meus sentires,
mas aberto
para que todos vejam
este rio fervilhando que percorre meu corpo...

Desejo ser essa borboleta colorida
e livre, que,
num frenesim travesso,
bate suas asas e voa,
escolhe sua flor e se perde nela...


Raphaela Blat


P.S.: Menina das amoras de prata

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Desejos I





Desejos me comem por dentro,
mastigam meu ser
e me cospem de mim.

Desejos trituram minh'alma,
em pedaços a tornam
e depois a remendam,
pedaço a pedaço,
desejo a desejo.

Desejos me cravam no corpo
quatro facas escravas,
quatro letras bravas
de dor e prazer.

Desejos me revelam no fim
o que quero,
o que almejo,
o que escondo, a medo,
da noite fria
que gela o coração dos amantes...

Raphaela Blat

P.S.: Menina das amoras de prata

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Liberdade


Passeio com meus pés de cristal
caminhando sobre o orvalho da manhã.
Passeio respirando o ar de aroma a fantasia
que escapara ao negrume da noite.
Sento-me numa nuvem de flores
e sou acarinhada por suas pétalas de cetim doirado.
Fecho meus olhos suavemente
e eis que sinto a luz da estrela-mestre
aquecer meu corpo,
iluminar meu espírito,
meu eu escondido no baú da carne.
E das minhas costas feridas,
nascem,
delicadamente,
asas brancas,
tão brancas.
Abro minhas asas,
com o sossego que não conhecia em mim
e alcanço os céus por descobrir...


Raphaela Blat


sábado, 7 de maio de 2005

Respeito pelas diferenças





Fecha teus belos olhos.
Sente a atmosfera em torno de ti brilhando.
Com teus olhos fechados vê.
Não precisas deles para ver.
Vê com tua alma.

O certo não é somente o teu caminho,
é o de qualquer um,
desde que se respeitem os caminhos alheios,
as estradas por outros cimentadas.

A minha borboleta é livre
e livre deseja que todos sejam.
Todos somos diferentes,
diz minha borboleta,
e todos temos que nos aceitar nessas diferenças.

Escutem esta música.
Escutem esta língua.
Árabe.
Árabe, sim.
Qual o problema?
Porquê tanto preconceito?

Meu professor dizia que «preconceito» quer dizer «antes do conceito», antes de saber...
Então, antes de saberem, respeitem.




Ana bahbak, habibi.



foto de Alessandro Cassemiro

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Mudança


Há uns anos, uma amiga minha mandou-me um pequeno filme sobre mudança.
Já o tinha postado no início do meu blog, mas no outro dia reparei nele e tive vontade de o postar de novo.
Este que vão ver não é o que primeiro que vi, mas a mensagem é a mesma e as imagens estão igualmente óptimas.
Bem, é so clicarem ali onde diz Mude e não se esquecerem de ligar o som.


Espero que gost
em:)


Mude

quinta-feira, 5 de maio de 2005

Anoitece





Anoitece neste quarto vazio.
Na minha estrada de pensares,
anoitece,
sem flores nem borboletas
salpicando de cor os meus olhos.


Sorriso outrora no rosto,
hoje guardado na gaveta antiga.

Coração outrora quente,
hoje de papel velho,
riscado, rasgado.

Anoitece.
Anoitece, sim.
Não lá fora, mas em mim.

Escuridão que me consome,
que bebe a minha alma,
sequiosa.

Lua, porque não vens acalentar meu corpo?
Será esperança vã desejar tua presença?
Será que escapaste,
impiedoso e vil luar,
enterrando a luz que me aqueceria
no negrume desta noite?

Anoitece.
Anoitece, sim.
Não lá fora, mas em mim...


Raphaela Blat


P.S.: Visitem-me no Menina das amoras de prata e no Histórias do prédio ao lado;)


terça-feira, 3 de maio de 2005

Alma, um livro aberto





Perfume de alfazema no ar.
Sabes como gosto desse aroma.
Uma borboleta de suaves tons
voa, inquieta,
em torno de um livro aberto.

A tua alma, meu amor,
de sorrisos transborda,
de sorrisos se veste,
e, só de ver,
jasmins caem no meu colo
num deleite.
A tua alma, meu querido,
de carmim se pinta,
amor que te povoa,
capitão de uma caravela antiga,
branca.
Mas, por vezes, meu bem,
vejo gotas de tristeza
nessa tua alma de pétalas de amor-perfeito
e, antes que seja chuva ou tempestade
e que se afoguem nelas
a cor e os sorrisos,
meus frágeis braços te afagam
e trazem sol e calor
para secar as gotas fugidias.

Uma harpa de fios de oiro toca e só tu ouves.
Uma pequena borboleta voa
com suas pequenas asas
em torno de um livro aberto,
a tua alma,
e só tu vês.

Raphaela Blat


P.S.: Hoje apresento-me no Histórias do prédio ao lado:) e claro que a minha personagem tem algo que ver com o Islamismo lol
P.S. 2: Como não tenho já trabalho que me chegue ainda arranjo mais... bem, tenho outro blog, o Menina das amoras de prata... creio que lá postarei somente uma vez por semana e pretendo criar uma personagem também, como no Histórias do prédio ao lado, mas uma personagem bem bem diferente.
Se quiserem, visitem-me nestes dois cantinhos:)

domingo, 1 de maio de 2005

Parte II


Mariana, desde pequena, sempre tivera aquele sonho. Ela caminhava, caminhava até chegar a um velho castelo. Entrava nele e uma senhora muito bem trajada aparecia-lhe, conversava com ela, dava-lhe um vestido de princesinha e dizia que estava ali para a proteger. Ela dizia à pequena Mariana que um dia ajudá-la-ia a cumprir o seu destino, realizando um desejo da menina. Mas antes que pudesse dizer mais qualquer coisa, acordava. Nunca falara deste sonho a ninguém. A Senhora tinha pedido. Ela fazia o que a Senhora pedia.
Porém, há já algum tempo que não sonhava com a Senhora, tempo suficiente para não reconhecer a sua voz logo. E quando fez um esforço para se lembrar da última vez que tinha sonhado com ela, não conseguia.
- Vim realizar o teu desejo hoje, Mariana. Chegou a hora... - enquanto a Senhora falava sobre o desejo, Mariana lembrou-se. A última vez que tinha sonhado com a Senhora fora quando, finalmente, fizera o pedido e fora informada que não se voltariam a ver até... - o dia em que um castelo estivesse acima da sua cidade e margarida deixasse de ser uma flor. É este o dia, Mariana.
Margarida olhou para a amiga. Era isso, era por isso o sentimento de ter uma missão a cumprir. Era por isso que tinha sido ela a dar a ideia da ida ao castelo. Era por isso que ficara paralizada ao ver a Senhora. Ela não podia fazer nada, a missão já estava cumprida.
Mariana começou a recuar.
- Não, não pode. Naquele dia estava muito triste. Não sabia o que dizia.
- Nada posso fazer, Mariana. Eu avisei-te que não poderias voltar atrás no teu pedido e tu disseste que não voltarias.
- Mas e a minha mãe e...
- Ninguém mais se lembrará de ti. Serás não mais que uma lenda.
- Mas eu não quero dormir agora.
- Voltarás um dia, como pediste.
Mariana começou a cair suavemente no chão de pedra e terra e os seus olhos fecharam-se a pouco e pouco, caindo num sono profundo.
No último sonho que tivera com a Senhora, no dia do seu 16º aniversário, Mariana tinha feito o seu pedido. Estava tão triste que pedira para dormir, dormir num sono profundo, um sono encantado, e somente acordar quando o seu verdadeiro amor chegasse. Ele teria que chegar. Que levasse décadas, que levasse séculos, não importava, só queria que alguém gostasse dela e que esse amor a fizesse retornar à vida.
E assim, a Bela Adormecida repousou e repousa no seu leito encantado, esperando...

Um pouco de fantasia de vez em quando sabe bem:)
Terminou a história... ou talvez não;)