Parte II
Mariana, desde pequena, sempre tivera aquele sonho. Ela caminhava, caminhava até chegar a um velho castelo. Entrava nele e uma senhora muito bem trajada aparecia-lhe, conversava com ela, dava-lhe um vestido de princesinha e dizia que estava ali para a proteger. Ela dizia à pequena Mariana que um dia ajudá-la-ia a cumprir o seu destino, realizando um desejo da menina. Mas antes que pudesse dizer mais qualquer coisa, acordava. Nunca falara deste sonho a ninguém. A Senhora tinha pedido. Ela fazia o que a Senhora pedia.
Porém, há já algum tempo que não sonhava com a Senhora, tempo suficiente para não reconhecer a sua voz logo. E quando fez um esforço para se lembrar da última vez que tinha sonhado com ela, não conseguia.
- Vim realizar o teu desejo hoje, Mariana. Chegou a hora... - enquanto a Senhora falava sobre o desejo, Mariana lembrou-se. A última vez que tinha sonhado com a Senhora fora quando, finalmente, fizera o pedido e fora informada que não se voltariam a ver até... - o dia em que um castelo estivesse acima da sua cidade e margarida deixasse de ser uma flor. É este o dia, Mariana.
Margarida olhou para a amiga. Era isso, era por isso o sentimento de ter uma missão a cumprir. Era por isso que tinha sido ela a dar a ideia da ida ao castelo. Era por isso que ficara paralizada ao ver a Senhora. Ela não podia fazer nada, a missão já estava cumprida.
Mariana começou a recuar.
- Não, não pode. Naquele dia estava muito triste. Não sabia o que dizia.
- Nada posso fazer, Mariana. Eu avisei-te que não poderias voltar atrás no teu pedido e tu disseste que não voltarias.
- Mas e a minha mãe e...
- Ninguém mais se lembrará de ti. Serás não mais que uma lenda.
- Mas eu não quero dormir agora.
- Voltarás um dia, como pediste.
Mariana começou a cair suavemente no chão de pedra e terra e os seus olhos fecharam-se a pouco e pouco, caindo num sono profundo.
No último sonho que tivera com a Senhora, no dia do seu 16º aniversário, Mariana tinha feito o seu pedido. Estava tão triste que pedira para dormir, dormir num sono profundo, um sono encantado, e somente acordar quando o seu verdadeiro amor chegasse. Ele teria que chegar. Que levasse décadas, que levasse séculos, não importava, só queria que alguém gostasse dela e que esse amor a fizesse retornar à vida.
E assim, a Bela Adormecida repousou e repousa no seu leito encantado, esperando...
Um pouco de fantasia de vez em quando sabe bem:)
Terminou a história... ou talvez não;)



15 Lápis no papel:
quando se interrompem narrativas criam-se expectativas sobre a sua continuação. houve aqui um desencontro por culpa do leitor.
de qualquer maneira espero ler outros.
Acabei de dizer ao Daniel do Humores que gostava da poesia dele mas que lhe preferia a prosa e não é que abro o teu blog e deparo-me com esta narrativa que me leva a proferir exactamente o mesmo?
beijinho da leonor
boa surpresa para o meu domingo à tarde, descobrir o fim da tua história...
um conto mto tocante, ainda agora estava a ver a gala do Hans Christian Andersen... e veio mesmo a calhar...
bj
fica bem
Querida Isa
Desculpa deixar-te um senão... esperar ser amada para acordar é demasiado passivo, pressupões que ser amado implica amar de volta? Deixando-me de filosofias, a tua história está bem contada e mostras um estilo guionista que os cineastas gostam, pois pode haver sempre a continuação. :)
Um beijo
Daniel
Isa Xana
Acho que deves continuar...
Está lindo, muito bem escrito. Parabéns
Um beijo
Não terminou, não... o Príncipe Encantado já deve estar à espreita!
O reconto de um sonho de menina, em q uma qqer mágoa leva ao desejo do sono do esquecimento... Esquecer... até q a realidade valha a pena... evitar o sofrimento e a dor.
Mas... e o prazer de lutar pelo q amamos? E o prazer da caminhada?
Mas a história é linda e faz-nos reportar à infância e ao mundo da magia...
beijinho, isa
Não é possível viver sem fantasia.
"Existem dois mundos: o real e o dos sonhos. Só o dos sonhos, é verdadeiro"
Beijo, beijo
Espero que a Bela Adormecida tenha lindos sonhos no seu sono de Marianas, Margaridas e de mulheres ornadas ricamente e com cabelo branco deitadas algures em algum palácio.
E acho que Daniel Aladiah também tem muita razão no seu comentário...
Isa, um conto repleto de fantasia e criatividade muito bem escrito. Continua com as narrativas e tenta consolidar um estilo.
Gostei muito
Um beijo
gosto das tuas historias, com pitadas de carinho e fantasia.
beijinho :)
já conhecia a tua história da Senhora do Castelo...mas é sempre um enorme prazer relê-la... é linda!
beijo
Gostei de ler esta tua história.
Já te tinha dado varias vezes os parabéns pela tua escrita em verso,e agora tenho que o fazer também para a escrita em prosa.
Tens o dom da escrita.
Boa semana.
Bjs.
...as histórias "encantadas" não têm fim. Esta que escreveste também não...E quase que aposto que um dia irás "pegar nela"; lá para quando o principe chegar ao pé da bela adormecida...digo eu.
Beijos e intés!!
Opá! Tão? E o resto? Assim não vale :-))) Vamos lá dar continuidade à história, se faz favor! :-)) Bjitos
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