quarta-feira, 27 de julho de 2005

Moldura





Doiradas plumas caem dos céus de marfim.
Um regato de frescas águas
passa perto de meus pés,
tocando-os, suave carícia.
Jasmins nascem nos restos duma fogueira vencida.
Papoilas pingam amor
das gotas de orvalho da manhã,
pétalas de carmim vibrante.
A beleza do dia florescendo em meus olhos
faz meu rosto se transfigurar num sorriso adocicado.
E caminho de encontro ao horizonte que me espera,
tendo como moldura do meu retrato
a paisagem que fez minh'alma brilhar.

Raphaela Blat

domingo, 24 de julho de 2005

Solidão





A solidão pinta a nossa alma de negro
e banqueteia-se com o nosso coração.

A solidão é ausência do Ser em nosso redor,
é pássaro sem asas,
escritor sem palavras.

A solidão bebe os sons e os sorrisos
em taça de vidro escuro esquecido,
caminha pelos amores perdidos
outrora vividos com tamanha ilusão.

A solidão é não contentar-se
com uma só estrela nos céus,
é carecer de um mar de cintilantes pontos
inundando os olhos
de fadas e elfos
fantasia e cor, magia enfim.

A solidão é dor que não se vê,
mas que se sente como
uma espada que não existe
mas que fere, impiedosa.

A solidão é uma única rosa murcha num jardim.

Raphaela Blat

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Ai azar, porque me bates à porta?



Bem, sexta lá fui eu, praticamete obrigada, ver as minhas notas. A minha média dos três anos é de 16 e nas minhas provas de ingresso tive óptimas notas, tive 16 a português e 19 a filosofia, o que me dá uma boa média para me candidatar. O único e grande problema é que para ir para a universidade tenho que fazer um MALDITO exame de história e ter positiva. Ora eu, que odeio história, bem tentei mas tive negativa no exame. Sem este exame de nada me adiantam as boas notas porque simplesmente chumbo o ano. Sinto-me frustrada por pensar que esta disciplina pode estragar tudo. Fiz outro exame de história hoje para ver se me safo, mas já nem tenho muitas esperanças.

Nem tou com disposição para escrever, o que não é normal. Parece que a minha imaginação fugiu e deve ter-se escondido bem, a malandra.
Volto noutro dia.
Beijos a todos.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Simplicidade?



de Shana


Querer jasmins pela manhã
bem a meu lado,
corpo teu.

Querer conchas de cristal,
tocá-las sem as ver,
a tua alma.

Querer encantar como o entardecer,
um pôr-do-sol à beira-mar
em que as ondas, sedutoras,
namoram, atrevidas,
a areia doirada que dorme na praia.

Querer mais que um bem querer.
Querer um tudo querer.
Querer viver e morrer a cada dia,
escutar as gotas de orvalho
como melodia de renascimento,
plantar amor, colher vida.

Querer jasmins e conchas de cristal.
Corpo e alma.
Vida.


Raphaela Blat

sábado, 9 de julho de 2005

Vidas...



Acordaram em camas diferentes, abraçados a corpos diferentes. Sentiram-se sós. Naquele momento relembraram-se e um gosto de saudade ficou na boca. Anos haviam já passado desde o último encontro, o último beijo... Nunca mais os seus olhos se cruzaram, nunca mais os seus corpos se tocaram. Nunca mais. A despedida doeu, como doeu a solidão. Mas o tempo tudo cura, não é o que se diz? Eles acreditaram nisso e pensaram esquecer-se. Conheceram outras pessoas, julgaram até amá-las. Mas vem aquele amor antigo, quase passado, quase esquecido e tudo retorna. Pensam como estará a vida do outro, pensam na sua própria vida e imaginam a vida que teriam juntos. Pensam porque partiram, porque fugiram... Sentem-se sós. Adormecem em camas diferentes, abraçados a corpos diferentes.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Aroma a flores


Aroma das flores que me deste, meu querido.
O ar que me envolve tem ainda o aroma dessas flores.
Meu corpo dança ao sentir este cheiro,
nectar do coração dos amantes.
E é uma dança livre, feiticeira,
âmago do ser.

Um coração solitário torna cegas
as borboletas de nós.
Mas o coração dos amantes,
milagre dos deuses,
faz as borboletas verem a beleza maior,
alcançarem os céus com sua alegria de cores vivas.

O aroma das flores está em mim, meu amor.
A tua ausência fere como arma branca,
mas este aroma ainda vive.
O meu coração jamais será solitário,
jamais estará abandonado.
Mesmo sem teu corpo de jardim,
habita em mim o coração dos amantes.

Raphaela Blat


P.S.: Menina das amoras de prata e Histórias do prédio ao lado

sábado, 2 de julho de 2005

Sentimentos




Os dias misturam-se,
penas perdidas no ar.
O sol envolve a noite, a lua o dia.
O doce, amargo fica.
A chuva vira maresia.
Os homens tornam-se crianças,
partem brinquedos, brincam de crescer.
Misturam-se as cores,
as pinturas,
os dedos, as mãos,
os corpos caídos, vencidos.
Sentem-se encruzilhadas na alma,
pedaços de estradas ainda por ser.
Caminhos rasgados no tempo,
envoltos na bruma do amanhecer.
Caminhos perdidos no fado,
carpidos de dor,
veneno das rosas velhas.

E eis que as penas perdidas nos ares
dos dias que vibram por se misturar,
se encontram
e dançam ditosas,
bebendo de um trago os sabores aprisionados
nos negros corações dos homens.
E os caminhos rasgados, perdidos,
como as penas dispersas no ar,
se encontram, enfim,
inteiros agora.

E as penas tornam-se asas
e voam...


Raphaela Blat


P.S.: Menina das amoras de prata