quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Amor



Não me venha falar de razão, não me cobre lógica, não me peça coerência, eu sou pura emoção.
Tenho razões e motivações próprias, sou movido por paixão, essa é minha religião e minha ciência.
Não meça meus sentimentos, nem tente compará-los a nada, deles sei eu, eu e meus fantasmas, eu e meus medos, eu e minha alma.
Sua incerteza me fere, mas não me mata.
Suas dúvidas me açoitam, mas não deixam cicatrizes.
Não me fale de nuvens, eu sou Sol e Lua.
Não conte as poças, eu sou mar, profundo, intenso, passional.
Não exija prazos e datas, eu sou eterno e atemporal.
Não imponha condições, eu sou absolutamente incondicional.
Não espere explicações, não as tenho, apenas aconteço, sem hora, local ou ordem.
Vivo em cada molécula, sou o todo e sou uno, você não me vê, mas me sente.
Estou tanto na sua solidão, quanto no seu sorriso.
Vive-se por mim, morre-se por mim, sobrevive-se sem mim.
Eu sou começo e fim, e todo o meio.
Sou seu objetivo, sua razão que a razão ignora e desconhece.
Tenho milhões de definições, todas certas, todas imperfeitas, todas lógicas apenas em motivações pessoais, todas corretas, todas erradas.
Sou tudo, sem mim, tudo é nada.
Sou amanhecer, sou Fênix, renasço das cinzas, sei quando tenho que morrer, sei que sempre irei renascer.
Mudo o protagonista, nunca a história.
Mudo de cenário, mas não de roteiro.
Sou música, ecôo, reverbero, sacudo.
Sou fogo, queimo, destruo, incinero.
Sou água, afogo, inundo, invado.
Sou tempo, sem medidas, sem marcações.
Sou clima, proporcional a minha fase.
Sou vento, arrasto, balanço, carrego.
Sou furacão, destruo, devasto, arraso.
Mas sou tijolo, construo, recomeço...
Sou cada estação, no seu apogeu e glória.
Sou seu problema e sua solução.
Sou seu veneno e seu antídoto
Sou sua memória e seu esquecimento.
Eu sou seu reino, seu altar, e seu trono.
Sou sua prisão, sou seu abandono e sou sua liberdade.
Sua luz, sua escuridão e seu desejo de ambas.
Velo seu sono...
Poderia continuar me descrevendo, mas já te dei uma idéia do que sou.
Muito prazer, tenho vários nomes, mas aqui, na sua terra, chamam-me de AMOR.


Autor desconhecido


Uma amiga mandou-me por e-mail e bem queríamos nós descobrir quem escreveu.

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Encontra-te




fotografia de Pedro Flávio



Esquece o inquieto sentir.
Esquece o amor que não é.
Encontra o caminho do mar.
Encontra as estrelas na alma.


terça-feira, 13 de setembro de 2005

Encontro



Bastou um leve encontro de olhos. Bastou isto somente para ele entregar a sua vida àquela mulher que encarava. Não era dado a romantismos, podia dizer-se que ele nem sabia o que era o romance. Frio, pragmático, assim se descrevia. Encontros casuais, casos de poucas noites, logo seguidos de despedidas breves, com poucas palavras, com nenhum sentimento. Efémeros, eram assim os seus relacionamentos. Tampouco ele buscava o amor. Manter distância dessa doença, era um dos seus lemas. E tinha conseguido cumpri-lo até àquele momento. Fora ao supermercado fazer as compras da semana, algo que ele particularmente não apreciava fazer. Quando se virara em busca das bolachas de chocolate que não podiam faltar em casa, viu-a. E ela também o viu. Um supermercado não era o lugar mais romântico do mundo, concordemos, mas aquele momento não deixava de ser especial. Era o seu momento. Ele ficou parado olhando-a, esquecendo-se de tudo o resto. Ela continuou as suas compras mirando de quando em vez aquele homem-estátua. Sorriu. Quando ele tomou consciência de si, procurou-a, procurou aquele olhar encantador. Correu pelos corredores do supermercado e viu-a dirigindo-se já à porta de saída. Correu atrás dela.
Como muda um homem numa ida ao supermercado...



P.S.: Estou de passeio pela ilha da Madeira e, por isso, não vos posso visitar com a frequência que gostaria. Vou-vos visitando à medida que possa.
Beijos

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Metamorfose



Outrora um quarto vazio.
Outrora paginas brancas de solidão.
Outrora o som sufocado, algemado.
Outrora.

Outrora a tristeza ancorada
na fragilidade do coração,
barco no cais da alma.
Outrora.

Mas eis que o outrora
se transforma na espuma salgada
e se perde na imensidão do presente,
pois do passado nasce o agora.

E do quarto vazio fez-se a luz.
E das paginas brancas, o sorriso.
Do som sufocado fez-se a palavra.
E as algemas docemente se metamorfosearam em amor.

Raphaela Blat