domingo, 30 de outubro de 2005

Liberdade


Hugo Matos


Aqui me encontro.
Aqui as cores do céu são a minha pele.
Aqui a água é meu corpo, a terra meus cabelos.
Aqui tudo e nada sou em doses bem medidas.
Aqui todos me sentem, mas ninguém me toca.
Aqui sou a imortalidade do tempo passado,
um rasgo de luz no céu estrelado.
Aqui, só aqui.

E neste espaço infinito, um querer
que se esconde nos beijos guardados,
que me afoga e me devolve à vida,
um querer que vejo em teus olhos
me rouba de mim e me entrega no mesmo instante,
pinta carmim no meu coração,
um carmim intenso, imenso em cada batimento.

Aqui me quedo,
pois és um balsamo para os venenos do mundo
e o teu amor é o mágico que tenho na alma
e me oferece o bem maior,
a liberdade.

Estou aqui. Sou aqui.

Raphaela Blat

sábado, 22 de outubro de 2005

Cegueira


foto de Alexandre



Anjo que dormes
deitado nessa cama de lençóis brancos
como a tua alma.
Anjo que dormes, descanso merecido.
Viajaste tanto mundo afora, tentando
salvar as pessoas da sua cegueira.
Mas elas te não escutam,
te não querem escutar,
tampouco te querem ver.
As pessoas escolhem a cegueira,
continuar sem ver o belo,
porque estão muito atarefadas como abelhas.
As pessoas preferem olhar-se somente
e não olhar os outros.
Anjo que dormes, que sonhas tu?
Que as pessoas abram os olhos
e vejam a luz do sol,
vejam as cores da vida,
vejam a maravilha de existir.
Bom sonho, anjo. Bom sonho.
Mas será eternamente utopia?
Acorda, anjo.
A cegueira tem que fugir.
As pessoas têm que ver.
Tornar esta utopia real,
deixar de ser fantasia.
Anjo que dormes, acorda, por favor.
Tens tanto que caminhar ainda.
Tens uma cegueira para curar.


Raphaela Blat

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Novidades



Ora bem... aqui vão as minhas novidades: entrei em Comunicação Social na Universidade Técnica de Lisboa. Depois de dias de frustração por não ser esta a minha primeira hipótese e por saber ter notas para entrar na primeira fase naquilo que queria, estou melhor agora, mais resignada.
Não tenho net por aqui, terei que vir somente quando der e não sei quando vos poderei visitar.

Beijos esvoaçantes a todos :)

terça-feira, 11 de outubro de 2005

A lápis e papel





Papel tecido de sorrisos.
Lápis de lágrimas feitos.
Palavras presas. Palavras soltas.
Palavras de asas plenas,
planas, de asas pequenas,
mas sempre de asas.
Cada palavra tem o seu próprio voo.
Cada palavra alcança os céus
e deixa cair uma pena em cada
sorriso e lágrima,
em cada lápis e papel.

E letras de mil formas
são escritas na alma aprisionada.
Desenhos de tons mil tatuados no coração.
E sentimentos, não já mil,
mas de infinito tamanho,
resplandecem o espírito,
e são traçados e instalados
no corpo de cada um de nós.

Na complexidade do nosso ser,
somos tanto e tampouco,
somos muito mais que palavras
mas sem elas, que somos nós?

Raphaela Blat

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Flores


Joe Taruga


Lágrimas caem de meu rosto
quando te ausentas, meu bem.
Lágrimas de pétalas de flor feitas.
E quando partes,
um jardim cresce ante meus olhos,
tão belo, tão frágil.
Não ficam os céus negros,
as folhas mortas.
Não ficam as palavras azedas,
os corpos frios.
Pois estas lágrimas minhas são flores
e não facas.
Estas lágrimas minhas são amor.

Espero o teu regresso.
Oiço ainda os nossos sussurros
e suspiros na madrugada,
nossa avidez de pecado.
Espero-te.
Desço os degraus do meu corpo,
abro a porta da minha alma
e alcanço-te na fantasia do ser.
Nas deambulações aladas, o meu espírito
encontra-se,
encontra-te,
encanta-se,
encanta-te.

E no teu regresso caem de nossos rostos
não já pétalas de flor
mas flores inteiriças
nesse abraço de floresta.

Raphaela Blat