terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Sorriso dos olhos



A chuva bravejava na cidade que não dormia. A noite nada mais era que um sinal do estado das vidas, da escuridão da alma das pessoas que ali habitavam. Cidade dos homens, cidade da noite, cidade do negro, cidade da pedra. Pedra, sim, que com tanto sofrimento o seu coração era pedra já. De quando em vez um sorriso, tão pequeno tão sem luz, que logo se apagava do rosto com um pedido de desculpa sem som. Os olhos estavam cegos, estavam mudos. O sentimento vinha de cada tijolo que compunha a cidade, de cada flor velha, de cada cruzar de corpos. A tristeza era intrínseca às pessoas, era o seu âmago. Era um mal-estar geral que conduzia à indiferença, que levava ao nada. Não havia a viva vida de outros tempos. O mundo mudara, ou se não mudara o mundo, mudaram elas, as pessoas. Não existia amor, em todas as suas formas. Não existia a vida. Tudo comido, deglutido e tranformado em nada.
Os pensamentos eram parcos e já de si sobejos para o espírito daquela gente. E elas não sabiam e pareciam pouco interessados em saber onde tudo tivera início, onde o seu caminho começara a ser trilhado por veios escarpados e sofridos.
Os sorrisos, minha gente, onde pairam os sorrisos? Mais que o sorriso dos lábios é o sorriso dos olhos que almejo. Ai, o olhar tem o mais belo sorriso que alguma vez enxerguei. Voltem para o outro caminho, desejo. Voltem.
Quero o sorriso dos olhos.


Desculpem a ausência. Beijos esvoaçantes:)

sábado, 3 de dezembro de 2005

Palavras que deixo


gosto de vocês. gosto dos sorrisos que não vejo, das lágrimas que não sinto. gosto das palavras doces e até das amargas feitas de chocolate. gosto do sentimento que nasce em mim por estar convosco. gosto de estar aqui. gosto de ser aqui. gosto de vos ler aqui. gosto deste espaço que é meu e vosso e que sem vocês estaria murcho, morto. gosto da partilha, da amizade que nasce entre palavras, entre imagens, entre sons, da amizade sem corpo, só alma. gosto dos beijos deixados, dos abraços tão apertados que quase me sufocam sem mesmo em tocarem.
gosto de gostar.


«amanhecia um dia de verão na pequena e úmida belém do pará cravada na beira do rio. mas o que importava não era o sol ou o azul do céu ou as mães carinhosas levando seus bebês ao passeio matinal. nem o cata-vento nas minhas mãos de infância que não tenho mais. eu só tinha olhos pra menina que comia estelas-cadentes e despertava girassóis pra me salvar da dor.» douglas d.


Ando ausente, bem sei. Não é por querer, arranjei trabalho por uns dias e tive que aproveitar. Vir para a universidade acarreta muitos gastos. Gosto muito da minha residência :) Desde que para lá fui foram todos muito queridos comigo. Metem-se comigo e, chamando-me caloira carinhosamente, apresentam-se. Da universidade já não gosto tanto, estou a dar coisas que não acho importantes e que são muito valorizadas, como por exemplo matematica. Sempre gostei de matemática, mas agora nem a posso ver à frente. A maior parte das pessoas do meu curso não têm matemática há uns anos, estamos enferrujados e apresentam-nos coisas complicadérrimas que nunca ouvimos falar. Estou em Comunicação Social!!! Concordo que tenha que ter algumas noções para fazer estatísticas e assim, mas é sobejamente mais importante ter uma disciplina de linguística ou algo que treine a minha escrita porque a escrita da imprensa não é como escrever uma história. Mas isto digo eu, não quem delineou o curso. Bem, deixando para traz os meus pensamentos, deixo-vos um grande beijo de saudade.