Sorriso dos olhos
A chuva bravejava na cidade que não dormia. A noite nada mais era que um sinal do estado das vidas, da escuridão da alma das pessoas que ali habitavam. Cidade dos homens, cidade da noite, cidade do negro, cidade da pedra. Pedra, sim, que com tanto sofrimento o seu coração era pedra já. De quando em vez um sorriso, tão pequeno tão sem luz, que logo se apagava do rosto com um pedido de desculpa sem som. Os olhos estavam cegos, estavam mudos. O sentimento vinha de cada tijolo que compunha a cidade, de cada flor velha, de cada cruzar de corpos. A tristeza era intrínseca às pessoas, era o seu âmago. Era um mal-estar geral que conduzia à indiferença, que levava ao nada. Não havia a viva vida de outros tempos. O mundo mudara, ou se não mudara o mundo, mudaram elas, as pessoas. Não existia amor, em todas as suas formas. Não existia a vida. Tudo comido, deglutido e tranformado em nada.
Os pensamentos eram parcos e já de si sobejos para o espírito daquela gente. E elas não sabiam e pareciam pouco interessados em saber onde tudo tivera início, onde o seu caminho começara a ser trilhado por veios escarpados e sofridos.
Os sorrisos, minha gente, onde pairam os sorrisos? Mais que o sorriso dos lábios é o sorriso dos olhos que almejo. Ai, o olhar tem o mais belo sorriso que alguma vez enxerguei. Voltem para o outro caminho, desejo. Voltem.
Quero o sorriso dos olhos.
Desculpem a ausência. Beijos esvoaçantes:)


