quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

1 ano


Então não é que o meu blog fez um anito e eu não reparei.
Foi um começo em que nem sabia bem o que queria fazer, só sabia que queria fazer algo. Comecei por escrever, de mãos trémulas, porque poucas coisas produtivas ainda tinha feito. As letras foram saindo, de início tão frágeis, mas depois de palavras carinhosas que encontraram do outro lado, de abraços invisíveis, ganharam coragem e foram-se fortalecendo.

Hoje a isa xana, Marisa no mundo físico, Raphaela Blat nos poemas, está tão orgulhosa do que contruiu como dos amigos que fez.

Este blog nasceu e cresceu e tornou-se algo que me fez sorrir a cada dia.
Nunca antes tinha escrito poesia assim.
Senti-me tão satisfeita a primeira vez que fui ao ICAG entregar poesias, registá-las, dizer a mim mesma: "Fizeste algo, Marisa. Isto é teu e, mesmo que ninguém goste, é teu e tu orgulhas-te disso e isso é que importa. Brotou de ti algo."
Cada pessoa que conheci fez-me tão bem. Vocês acolheram-me, meus amigos, meus amigos sim, porque não?:)
E mesmo que a ausência pese por vezes, o meu lápis e papel estão sempre aqui e ficarão sempre aqui e serão sempre aqui.
Obrigada por tudo. Beijos esvoaçantes desta borboleta:)




Liberdade

Aqui me encontro.
Aqui as cores do céu são a minha pele.
Aqui a água é meu corpo, a terra meus cabelos.
Aqui tudo e nada sou em doses bem medidas.
Aqui todos me sentem, mas ninguém me toca.
Aqui sou a imortalidade do tempo passado,
um rasgo de luz no céu estrelado.
Aqui, só aqui.

E neste espaço infinito, um querer
que se esconde nos beijos guardados,
que me afoga e me devolve à vida,
um querer que vejo em teus olhos
me rouba de mim e me entrega no mesmo instante,
pinta carmim no meu coração,
um carmim intenso, imenso em cada batimento.

Aqui me quedo,
pois és um bálsamo para os venenos do mundo
e o teu amor é o mágico que tenho na alma
e me oferece o bem maior,
a liberdade.

Estou aqui. Sou aqui.


Raphaela Blat


Coloco este poema novamente por achar que se enquandra bem neste meu post.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Deambulações





Deste-me o veneno de te bem querer.
Veneno sim,
porque se almejo não querer-te,
esse desejo se desvanece ao sentir-te
tocando a minha alma a cada amanhecer.

Os meus braços amputados ficam
quando ouso abrir a porta e partir.
Ou então é ela, a porta, sabida,
que se tranca e se ri do meu querer.
É ela, minha desdita,
que torna o meu corpo fraco, o meu espírito leve.
É ela este veneno que me aprisiona e me liberta.

Como ouso querer não querer-te?
Como ouso amar não amar-te?
É como
desejar viver e morrer no mesmo instante,
desejar o sol e a noite num só
.

Raphaela Blat

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

i just have eyes for u





Nasceu no meu peito uma flor.
Ela amarrou as suas frágeis raízes à minha alma,
cobriu-me de branco e carmim
e um aroma intenso a amoras silvestres.

Não quero que meus olhos esqueçam os olhos desta flor.
Não quero que o seu encanto desvaneça ao raiar o dia,
pois esta flor é o meu jardim.