domingo, 9 de abril de 2006

Encantamento


Enchi um balão com o vento de ontem.
Soprou tão forte, tão selvagem
e agora no meu balão está quieto, dormindo.
Ficou sem a bravura de ontem, o ar dentro do meu balão.
Ficou sem a cor da força, sem o aroma a maracujá
que tão ardentemente me seduzia.
Perdeu fervor, calor. Perdeu-se
e a cada ontem que atravesso, perde-me.

Era um vento tão valente e eu, no meu encanto,
aprisionei-o para ser o meu vento.
Quisera eu prejudicar ninguém, só sonhava em tê-lo por perto.

Mas como prender o vento se o destino dele é o mundo?

Ao amanhecer acordei-o, soltando o balão
e deixando-o voar.
Segue o teu fado, meu querido.

Raphaela Blat


P.S.: Peço desculpa pela ausência. Não tenho conseguido escrever. Hoje lá consegui, foi uma sorte. Amanhã venho visitar-vos. Beijos esvoaçantes:)