Prisma invertido

Os dedos alongam-se ao redor da viagem.
As mãos unem-se em pleo voo, são asas.
Os lábios são a cor da liberdade inquietante, vibrante.
O som dos sorrisos de espuma desfaz-se no cansaço da travessia.
A nossa chegada anunciou-se na manhã do entardecer,
no penhasco sobre vale, no mundo do contraste,
onde o branco e o preto são uma e a mesma cor,
na inquestinável brisa doce do mar.
Caminhamos num mundo ao contrário,
mas é tão apetecível sentir o nosso corpo
inspirar a melodia das borboletas
e, no final, aniquilar o choro cravado na face da pedra,
pois de pedra são os nossos corações
neste nosso mundo de guerreiros.
Perdoem-me, mas por aqui fico.
Quedo-me na contrariedade que me acalenta o peito.
Raphaela Blat




