quarta-feira, 28 de junho de 2006

Prisma invertido





Os dedos alongam-se ao redor da viagem.
As mãos unem-se em pleo voo, são asas.
Os lábios são a cor da liberdade inquietante, vibrante.
O som dos sorrisos de espuma desfaz-se no cansaço da travessia.

A nossa chegada anunciou-se na manhã do entardecer,
no penhasco sobre vale, no mundo do contraste,
onde o branco e o preto são uma e a mesma cor,
na inquestinável brisa doce do mar.

Caminhamos num mundo ao contrário,
mas é tão apetecível sentir o nosso corpo
inspirar a melodia das borboletas
e, no final, aniquilar o choro cravado na face da pedra,
pois de pedra são os nossos corações
neste nosso mundo de guerreiros.

Perdoem-me, mas por aqui fico.
Quedo-me na contrariedade que me acalenta o peito.

Raphaela Blat

sexta-feira, 16 de junho de 2006


Marcel Bianchi


Criámos as horas, os minutos, os segundos.
Até décimas de segundo se tornaram importantes em competições. Inventámos o relógio de sol, o relógio de pulso.
Regulamos a nossa vida a partir das horas. As horas em que acordamos, as horas em que vamos para o trabalho, as horas em que almoçamos, as horas em que dormimos...

Teremos nós mandado no Tempo ou seremos apenas seus escravos?

domingo, 4 de junho de 2006

Natureza





Choram as árvores mortas.
Riem as pedras que correm do rio.

Rodopio, rodopio.
Balanço a cabeça escutando a canção do mar.
Rodopio, rodopio.
Danço ao som da visão do sol poente.

Pinto os olhos da cor do céu,
por vezes cinzento, por vezes azul.
É a luz que oferece ao meu olhar essa hipótese.

Choram as ondas vivendo.
Riem as flores do jardim.

Será alfazema? Será jasmim?
Não, é a beleza de um amor-perfeito,
nascido no seio de um quadro que jamais fora pintado,
pois assim o enviaram os deuses.


Raphaela Blat