O desconhecido
Encontraram-se como por acaso naquele entardecer.
Não encontraram as palavras necessárias para concretizar o momento.
Não encontraram os espelhos da alma nos olhos de cada um.
Não encontraram as cores do toque na pele suave.
Encontraram-se por mero acaso naquele banco de jardim, abrigo de cada um, mas não era abrigo dos dois.
Perderam-se na magia do encontro sem o ser.
Perderam-se nas palavras que voaram e nos sorrisos que faltaram.
Perderam-se como uma melodia que toca num entardecer em frente a um banco de jardim, abrigo dos que almejam amar, mas que temem a travessia do Cabo da Boa Esperança.



28 Lápis no papel:
quantas vezes encontramo-nos ou connosco ou com outro e não o identifucamos como sendo nosso...
quantas vezes um banco de jardim é só nosso ou é só dele
quantas vezes precisamos caminhar pelo mesmo sitio até qu ese faça caminho...
o desconhecido que pode vir a ser conhecido...
em conclusão, como sempre, mas não gosto de me repetir... "muy hermoso" como os poemas "antigos" sobre as palavras e ou os silêncios...
p.s. vê se gostas de "botella al mar" na voz de benedetti... poema completo
besitos, ou como vcs dizem em Portugal, abraços ou é jinhos, yayayay
Então. Querida habitante do Além Tejo.
Estava a ver que já não tinhas tempo de blogar.
... estavam perdidos os dois sós no banco do jardim.
...perdidos nos seus casulos,nessa solidão que era de ambos sem o saberem... porque essa solidão é sempre nossa e as vezes embrulha-nos, faz-nos esquecer que ao nosso lado alguém está só também. A solidão é mais genuina se pensarmos que é só nossa...dá-lhe uam gradação maior, um fatalismo maior, a capacidade de suportar como herois frigios faz-nos ascender ao limbo se sentirmos que somos os únicos a sofrer assim, a sentir assim.
estavam os dois lado a lado,serenos, parados, quedos, calados, o olhar dele não se tinha ainda focado na luz eterna e azul do olhar dela.
Ela não tinha ainda reparado no ar triste, melancólico, quase profético e louco dele.
Se o tivessem feito os olhos dele teriam ficado iluminados com a luz que vinha dos dela, e os dela teriam ainda ficado mais eternos porque enfeitiçado que estava ele não teria resistido a tranformar a luz que deles vinha em poema, em grito, em ode... e quando os cantasse seria a ela que cantaria até ao final dos anos.
Mas nem ele nem ela tinham reparado no outro... estavam desencontrados, os dois cada um na sua solidão ...
nessa solidão em que teriam ficado se uma borboleta não tivesse passado a esvoaçar à frente dele pousando depois sossegada no colo dela, se ao faze-lo a borboleta bela que era não tivesse feito que ele se virasse para a rapariga, se não tivesse feito que os dois olhares se cruzassem, se não os tivesse feito os dois esclamar - é linda... e assim obriga-los a romper a masmorra de silencio.
se o facto de ele sorrir por terem os dois falado ao mesmo tempo não a tivesse cativado para o seu sorriso triste mas belo, se o olhar cativo dela não tivesse brilhado mais ao ponto de ele não conseguir resistir-lhe e desejar mergulhar naquele azul, e desejar canta-lo...
se ficaram os dois juntos ????? não o sei.... que importa ... afinal o banco de jardim é um abrigo...não é...
shiu.... a borboleta ainda está pousada, as asas abertas parecem agora um coração, parecem palpitar... deixa-os sossegados...
Querida Isa Xana
Uma ode à timidez... acontece tanto.
Um beijo
Daniel
uma bela tarde passada então... :)
é dificil arranjar coragem mas se não existe uma estrela sequer, como é possível saber o caminho na escuridão?
não importa perderem-se porque secalhar estão a construir a ponte. provavelmente subiram um degrau em direcção ao lugar que pertencem.
Gosto dos encontros por acaso... Quanto aos cabos de boa esperança, todos têm o seu.
Palavras bem sentidas... :-)
Que texto lindo!
com o meu lápis neste teu papel, escrevo:
"molts petons"
São fortes e intensos os momentos em que te leio.
Beijocas e inté. ( Espectro #999 )
Oi, garota.
Então, os Algarves?
Em resposta à tua pergunta, já tenho tudo escrito.
Mas não vou dar a história toda. Só partes.
Quando o livro sair, aviso-te.
Beijos poéticos
Ola Isa...
esta a navegar por mares digitais, quando uma onda do acaso me trouxe ao se blog...
E que onda mais certeira...
pois li e gostei do que vi!
trago a ti um abraço e deixo um beijo...
wander luiz alves amorim
gst dos teus poemas, mas tb gst desta tua vertente. bj
Algumas vezes, para alguns de nós, a net é o barco que permite ultrapassar o cabo das tormentas...
Um beijo
Luis
...a timidez faz parte do ser humano...mas por vezes é mesmo chata:(...
Jinhosssssss
Somos estranhos!
;-P*
sincronicidade... ou não?
Beijos
Desencontros que pautam a nossa Vida e os nossos dias...
Bjo*
...passei para te deixar um jinho e desejar um bfs...
Adorei o poema. És uma excelente arquiteta das palavras. Abraço.
Esses desencontros enchem o mundo de possibilidades perdidas, mas também de textos bonitos!
Beijinhos
nao sera normal temer a travessia do cabo da boa esperança??? afinal o amor tanto nos pode fazer muito felizes como nos pode trazer muita dor...as vezes no acaso estao boas surpresas a nossa espera :)...
Olá menina linda,
adorei o texto!
Quantas vezes perdemos pela nossa timidez de enfrentar o desconhecido.
Beijinhos muitos para ti
Isa
relendo e vejo que o cabo não mudou de nome para tormentas...
molts petons e buenas vacaciones e trabalhos em vidro...
Por vezes os "acasos" da vida pregam-nos surpresas às quais ficamos "presos" para sempre.
Bom fds.
Bjs.
e quando os acasos se revelam momentos da vida?... como todos aqueles que preencheram os últimos meses da minha vida...
uma beijoca e boas féras
gostei muito =)
muitos muitos parabens:)
beijinho
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