Ponte da memória
Atravessei a ponte da memória.
Corri sem olhar para trás,
sem ver o destino.
Só sentia os meus pés
tocando a velha madeira,
o ar acariciando as minhas faces,
os meus olhos em água salgada convertidos,
o meu corpo cansado,
a minha alma ferida.
Atravessei a ponte sem ternura,
sem querer o que para trás deixava,
o que eternamente ficava,
como roupas usadas num baú antigo.
Só queria percorrer a ponte sem demora
e chegar no fim esperado
para um poderoso recomeço.
Terminar o caminho
que me atormentava
e libertava
em doses tão iguais
como metades da mesma flor.
Atravessei a ponte da memória
e sei mais pensar,
sem mais temer,
apaguei o passado e o presente
e deixei o futuro na mente
para ser o novo agora.
E com alma branca cheguei.
Olhar cristalino no rosto.
E com lábios puros sorri
ao novo dia
que brotava.
Raphaela Blat



13 Lápis no papel:
Ola!
Poema lindo... merece um sorriso e um beijinho :)
nasceste de novo... deixaste o negro e pintaste a alma de branco... admiro a tua coragem... nem sempre temos coragem para recomeçar... jinhuz
Cada vez te superas mais!
ta lindissimo mesmo...
e hoje identifico-me muito com ele.
A tua escrita transmite uma grande força. parabens :) 1bjinho***
são pontes, que nos levam a lugares longincuos, que nos fazem passar para a outra margem furiosa e abundantemente.
Querida Isa Xana
Gostei... mas mal comecei a ler, imaginei-te nessa correria louca e nua, deixando também a roupa para trás... perdoa a crueza, mas sou sincero sempre no que penso e digo, e a pureza de renascer passava por essa visão da pele nua...
Um beijo
Daniel
sim.. ax vezes mais vale mesmo atravessar a ponte e eskecer ax águas paxadas... olhar po presente e vive-lo c garra...e sonhar c o futuro, quiçá... ;)
Olá em primeiro lugar vim agradecer a visita.
Depois vim te dizer que sim, que conheço Eugénio de Andrade e que em posts mais antigos também tenho poesias dele.
Gostei muito deste poema.
Espero que apareças mais vezes. Beijos*
Isa...
desta vez venho comentar as palavras que deixas no meu blog quando o visitas
mais uma vez confirmas a minha ideia da gente alentejana: aberta, sincera e fresca no seu sorriso para os outros.
Bem hajas, miúda
Oi!? Tematizar a memória é sempre um brinde as virtudes do coração! Muito
bom! Bjs!
Na corrida sobre a ponte da memória, não podia ser mais verdade: não tememos quando esquecemos passado e presente; e um dia temos mesmo que os apagar e atravessar. E, ainda assim, é necessário, um dia decidir-mo-nos, e atravessarmos tal passagem e chegarmos
"ao novo dia
que brotava".
Belo poema, Isa! Quantas vezes temos que atravessar a ponte da memória e deixar para trás o que nos impede a felicidade!
Obrigada pelo teu carinho lá no meu blog, ontem. Beijinhos
Isa, PARABÉNS!
Belo poema: "As pessoas escolhem a cegueira,
continuar sem ver o belo,
porque estão muito atarefadas
como abelhas.
As pessoas preferem olhar-se somente
e não olhar os outros".
Um beijo
Betty
"...apaguei o passado e o presente
e deixei o futuro na mente
para ser o novo agora.
E com alma branca cheguei.
Olhar cristalino no rosto.
E com lábios puros sorri
ao novo dia
que brotava."
O futuro é teu...e, nele terás contido, todos os teus sonhos, todos os teus sorrisos, tudo o que acalenta a tua alma...
Obrigada pela partilha que nos dás...
Abraço ;-)
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