domingo, 17 de abril de 2005

Vamos falar de AMOR?



I.

Conheceram-se numa festa igual a tantas outras. Foram apresentados por mero acaso e ela nem reparou muito nele. Não lhe interessavam homens mais velhos, nunca havia tido esse interesse. Ele, em contrapartida, assim que a viu ficou seduzido pelo seu olhar e elogiou-a ainda tímido. O tempo foi passando. Foram-se vendo mais vezes.

Um dia encontraram-se na praia. Ela foi buscá-lo para perto do grupo e começou sentindo algo estranho, diferente. Olhava-o de soslaio, pensando se ele estaria a mirá-la, se a achava bonita e depois zangava-se consigo mesma e continuava a nadar. Ele, sentado num rochedo, olhou para ela toda a tarde. Ela julgava que estava assim por nunca ter namorado, nunca ter beijado alguém. Dezassete anos tinha. Então dizia para si mesma que eram as hormonas que a estavam a elouquecer e sossegava. Não podia começar a interessar-se por ele, não podia. Ele pensava o mesmo. Ela era demasiado nova. Não, nunca, jamais... Até que um dia, por brincadeira, julgou ele, ele disse «Amo-te» assim do nada e tudo mudou. Ele sentiu que o que tinha dito era verdade e ela sentiu algo novo, sentiu borboletas no estômago numa dança inquietante e partiu. Era tudo demasiado novo para ela e ele... bem, não podia ser ele! Estava tudo errado. Mas o amor tem destas coisas... apanha-nos quando menos o esperamos.


Começaram com toques de mãos, bem de leve. Ela era demasiado tímida para tomar alguma iniciativa e a sua racionalidade não a deixava amar inteiramente. Sempre pensava nos outros... no que iriam dizer, no que iriam fazer, pensava na mãe e no pai que teriam um ataque se a vissem com aquele homem. Depois pensava no que estava a sentir e tentava acreditar que não o amava, que somente se sentia assim porque nunca tinha amado alguém, nunca tinha tido alguém na sua vida... era tudo demasiado novo para ela. Ele atacava-a de mansinho. Era homem, sabia o que sentia. Achava-se louco. Como poderia ele... nunca havia amado mulher alguma, apesar de já ter tido várias mulheres... como poderia ele apaixonar-se assim...
Tentavam parar, mas não conseguiam, já não havia como voltar atrás nesse caminho.
Começaram um namoro às escondidas.

Tiveram que se separar. As férias do Verão haviam terminado. Ela julgou que não mais se veriam. Mas estava enganada. Ainda bem que estava enganada.

Tanto há ainda para contar. Tantas histórias eles viveram, tantas novas histórias vivenciam a cada dia.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ela tem 19 anos e ele 34. Namoram há quase dois anos.



II.

Conheceram-se. Apaixonaram-se. Começaram a namorar.
Ele é muçulmano.
Ela vem de família católica e já o foi também. Mas há algum tempo, bem antes de o conhecer, tinha deixado de gostar de religões... obras dos homens, concluiu.
Têm discussões sobre religião. Ela adora.

Ama-o pelo que ele é, não pela religião que professa. Ama-o pelo que ele a faz sentir, pela sua inteligência, pelo seu amor à vida, pelo seu sorriso meigo, por ser sempre tão carinhoso com ela, por ser sempre bom com todos os que lhe pedem ajuda, por amar a sua família incondicionalmente, por ser um amigo em quem se pode confiar e pedir auxílio sempre... ama-o.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ele é muçulmano.
Ela não gosta de religiões.
Namoram há quase dois anos.



III.

Conheceram-se numa festa igual a tantas outras. Foram apresentados por mero acaso e ela nem reparou muito nele. Não lhe interessavam homens mais velhos, nunca havia tido esse interesse. Ele, em contrapartida, assim que a viu ficou seduzido pelo seu olhar e elogiou-a ainda tímido.

Apaixonaram-se. Começaram a namorar.
Ele é muçulmano.
Ela vem de família católica e já o foi também. Mas há algum tempo, bem antes de o conhecer, tinha deixado de gostar de religões... obras dos homens, concluiu.
Têm discussões sobre religião. Ela adora.
Ama-o pelo que ele é, não pela religião que professa.

O namoro às escondidas continua ainda.
Têm esperança de um dia poder contar tudo sem magoar ninguém. Sabem não ser possível.
Amam-se e é já o bastante para esquecerem o futuro por momentos.
Ficarão juntos? Ninguém sabe, nem mesmo eles. Tanto os separa... mas há algo mais forte que os une: o amor que sentem um pelo outro.
Ele tem 34 anos e é muçulmano.
Ela tem 19 e não gosta de religiões.
Namoram há quase dois anos.



Serão os preconceitos mais valiosos que o AMOR?


15 Lápis no papel:

Blogger O Micróbio escreveu no papel...

Achei piada à coincidência dos dois anos, apesar da coincidência ser o amor! Sim, tens razão, não há preconceitos no amor! Mas também deve haver bom senso... :-)

20:44  
Blogger isa xana escreveu no papel...

e o que consideras «bom senso»? as pessoas têm que ser todas iguais, não podem ser diferentes?

20:55  
Blogger La Luna escreveu no papel...

minha fofa,tá lindo o k xcreveste...
eu axo k ñ há preconceitos no amor,s houver é pk exe sentimento ñ é verdadeiro...
o amor deve ser vivido livremente!!
beijo fofo

21:07  
Blogger maresia escreveu no papel...

um dia cruzaram os seus corpos na dança. ela era branca, ele era preto. lutaram até mais não poder, mas eles próprios mergulhavam nos seus preconceitos.

21:34  
Blogger Fernando Moreira escreveu no papel...

porque razão o amor de romeu e julieta será eterno?
há sempre algo mais forte que as religiões, que o tempo!

22:54  
Blogger CLIK escreveu no papel...

Nada é mais valioso do que essa palavra!!!
Saudações Bloguianas do regressado Click!

03:37  
Blogger Apenas, o cidadão escreveu no papel...

está muito engraçada a ideia das três partes do texto.

os preconceitos relativamente ao Amor, e ao modo como devem ser as relações obedecem a critérios legais, morais, religiosos, psicológicos, etc...

Como o Amor contem a liberdade os preconceitos perdem a sua importância, a sua identidade, enfim a sua existência porque tentam prender algo.

No entanto vivemos em sociedade com as suas regras imperfeitas, e convivemos com seres humanos tambem imperfeitos por isso a tarefa de amar alguém é dificil. existem barreiras de diversas ordens, incluindo os preconceitos. Não podemos dar ao luxo de ignorá-los pois podemos ser atropelados, mas também não podemos deixar prender.

conclusão: é necessário coragem, inteligencia e fé.

o que escrevi está confuso... fica bem

12:19  
Blogger D escreveu no papel...

Isa antes demais ,cria dizer-te que fiquei feliz com o que escrveste no meu blog, ao me teres contado a tuas experiências :)

Ora as pessoas aproximam.se ou porque têm modos de vida semelhantes/ideias semelhantes, etc.. mas também se podem aproximar por seres o pólo oposto um do outro.
A sociedade é a grande criadora destes preconceitos, se vivessemos no tempo dos austrolopitecos não acontecia isto.. hehehehe
Vá,sendo mais séria.. o verdadeiro amor, e agora vou-me armar em lamexas, consegue vencer essas barreiras.. e transforma-las num desejo ainda mais forte de querer o outro.

Tem um bom dia :) beijos

14:09  
Anonymous Menina_marota escreveu no papel...

O amor não conhece, raças, religião, idade, mas as pessoas, conhecem!

E aí começam os preconceitos!

Adorei ler os teus textos!

Sou uma apaixonada incorrigível...

Abraço :-)

16:40  
Anonymous Espectro #999 escreveu no papel...

Calma Isa, não te atires para cima do Micróbio, pois ele ao dizer aquilo, até aposto que não foi para ferir nenhuma susceptibilidade de quem o lê.
Quanto a mim, que mais hei-de dizer a não ser que tiveram azar ao apaixonar-se, isto baseando-me no que escreves [...] acho que li que ambos sabiam que se trata de um amor impossível, ora, assim sendo do que eles estavam à espera ? de milagres ? Então que o operem eles mesmo e contrariando tudo e todos que se juntem e vivam o amor deles em paz.

Mas pronto, isto é só um mero desabafo.
Do que eu tinha saudades era mesmo de vir aqui, ao teu cantinho miraculoso.
Beijão e inté.

19:28  
Anonymous Taliesin escreveu no papel...

Oi Isa
amar é a coisa mais linda q tem, independente de idade ou religião, amar é o q tem q ter no coração e q os dois vivam muito tempo esse amor
Beijos

23:58  
Anonymous caterina escreveu no papel...

Obra dos homens, sim, preconceito igual a tantos outros e como os outros, nocivo. Absolutamente. E olha só o tempo que perdmos a lutar contra eles quando podíamos estar, sei lá, a amar.

22:12  
Blogger Gabriel escreveu no papel...

Eu precisava dizer isto aqui, para todos verem: parabéns. Nunca faria um texto deste; ainda mais aqui.
O resto voce já sabe.
Beijos

03:42  
Blogger webdreamer escreveu no papel...

Finalmente de volta, posso visitar os blogs de que gosto!
E é logo este texto o primeiro que li, está absoluta e positivamente maravilhoso; gosto muito da tua prosa, talvez mais do que da poesia (genericamente também aprecio mais a prosa, a ser franco, embora goste de toda a arte=)).
Tenho só a dizer mais uma coisa:
quantas oportunidades é que temos para desperdiçar?
*****

19:33  
Blogger Tbb escreveu no papel...

2 anos a namorar as escondidas é mt coisa, eu digo-te desde ja que teria uma actitude nao mt logica mas seria aquilo que queria fazer se tivesse nessa situaçao! Se o amo e se alguem percebe de amor percebe o que eu sinto, e contaria as pessoas! Sei que nao ia ter mt pessoas a apoiar mas acho que 2 anos sem contar a ng, guardar segredo, fazer tudo escondido satura, e acho que nesse instante so me apetecia berrar com o mundo e cagar para o resto pois se amas de verdade sei que o resto nao te interessa assim tanto! Mas pensa antes de fazeres alguma coisa :|
O mundo nao é perfeito, mas é o unico sitio onde podemos viver, por enquanto :|
Bj Sinceramente, Hugo "Tbb" Cabral

00:28  

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